Inovação no Uso da Impressão 3D na Indústria Nuclear

Por Triforma Janeiro 17, 2025

Recentemente, o Oak Ridge National Laboratory - ORNL alcançou um marco significativo na área de fabricação aditiva, ao projetar, imprimir e testar com sucesso uma cápsula de espécimes para uso em seu High Flux Isotope Reactor (HFIR). Esta conquista representa o primeiro uso bem-sucedido da impressão 3D para criar componentes especializados em uma indústria altamente regulada como a nuclear, onde a precisão e a segurança são fundamentais.

A Revolução da Fabricação Aditiva no Setor Nuclear

A impressão 3D tem mostrado um grande potencial para transformar vários setores industriais, e a área de pesquisa nuclear não é exceção. Com o uso de tecnologias como a impressão por leito de pó a laser, o ORNL conseguiu fabricar uma cápsula de aço inoxidável complexa, que foi montada, carregada e selada. Esse avanço oferece uma série de vantagens, como a capacidade de criar formas complexas com mais rapidez e a custos mais baixos do que os métodos tradicionais de fabricação.

As cápsulas de espécimes, conhecidas como cápsulas “rabbit” (“coelho”), são essenciais na pesquisa de combustíveis e materiais nucleares. Elas são utilizadas para manter os experimentos que estão sendo irradiados dentro de reatores de teste. A ideia de imprimir uma cápsula dessas usando fabricação aditiva não era apenas inovadora, mas também um grande desafio técnico. Para verificar se a impressão 3D poderia ser uma opção viável para essa aplicação, a cápsula foi colocada no HFIR por quase um mês, onde resistiu com sucesso às extremas condições de radiação e alta intensidade de nêutrons do reator.

O Impacto no Futuro da Indústria Nuclear

Cápsula ‘rabbit’

De acordo com Richard Howard, líder do grupo de engenharia de irradiação do ORNL, este feito representa um passo importante para mostrar que a fabricação aditiva pode ser uma solução viável para criar e qualificar componentes especializados que não podem ser fabricados convencionalmente. Com isso, a impressão 3D abre portas para o desenvolvimento de componentes mais complexos e customizados, algo que não seria possível com as técnicas tradicionais de usinagem.

Ryan Dehoff, diretor do Manufacturing Demonstration Facility do ORNL, ressalta que, à medida que a confiabilidade dessas peças impressas 3D for comprovada, é possível que a fabricação aditiva se torne uma prática comum na produção de partes críticas para reatores nucleares e até mesmo para outras indústrias altamente reguladas. A flexibilidade geométrica proporcionada pela impressão 3D permite que se criem designs mais complexos e inovadores, que seriam extremamente difíceis, ou até impossíveis, de fabricar de maneira convencional.

O Futuro das Cápsulas Impressas em 3D e Outras Aplicações

O sucesso deste teste inicial é apenas o começo de um processo mais amplo de exploração das possibilidades da fabricação aditiva no setor nuclear. O ORNL planeja realizar uma avaliação pós-irradiação da cápsula impressa em 3D no inverno deste ano, o que ajudará a garantir que o material e o design da cápsula atendem aos rígidos padrões exigidos para componentes em ambientes de radiação intensa.

Esse avanço também pode abrir caminho para a utilização de outras peças fabricadas aditivamente em aplicações críticas de segurança, tanto dentro da comunidade de energia nuclear quanto em outras indústrias reguladas, como a aeroespacial e a biomédica, onde as especificações de materiais, design e qualificação são igualmente rigorosas.

Além disso, o trabalho foi apoiado pelo programa de Tecnologias Avançadas de Materiais e Fabricação do Departamento de Energia dos Estados Unidos, que busca acelerar a comercialização de novos materiais e tecnologias de fabricação por meio de demonstração e implementação.


Fonte:

https://www.energy.gov/ne/articles/oak-ridge-national-laboratory-creates-first-3-d-printed-rabbit-capsule-use-test-reactor / /